26 de Maio de 2020

Começando a Horta


Podemos pensar em três tipos de horta:
1 – A Horta Horizontal (clássica)
2 – A Horta Vertical
3 – A Horta em Recipientes

A Horta Horizontal é aquela que todos conhecemos – um terreno lavrado, onde se cultivam as hortícolas, e de onde podemos destacar os canteiros simples, e os canteiros elevados (na foto).


A Horta Vertical é aquela que aproveita muros, paredes e espaços na vertical. Como exemplo deste tipo de horta, temos as redes por onde se dispõem as trepadeiras que crescem a partir de vasos na base, ou o sistema de “bolsos” onde, em pequenas quantidades de substrato se cultivam algumas hortícolas como alfaces ou ervas aromáticas.



A Horta em Recipientes é, talvez, aquela que melhor se adapta a espaços mais reduzidos, como terraços e varandas, e são inúmeras as possibilidades desta opção.



Assim, basta começar a planear qual o melhor tipo de horta para o espaço de que dispomos! Boa sorte!



PREPARANDO O TERRENO

Depois de termos planeado a estrutura da horta, há que preparar o terreno (pelo menos no caso da horta horizontal).
Assim, começamos por retirar as pedras e grumos de terra maiores, ervas daninhas e plantas velhas. Seguidamente, é necessário nivelar o terreno – o que pode ser feito com as costas de um ancinho.
Em seguida, e principalmente no caso de solos pobres, será necessário fertilizar. Como estamos na presença de uma horta biológica, não queremos os químicos dos fertilizantes industriais, mas utilizaremos estrume ou composto (falaremos do composto mais à frente), o qual deverá ser incorporado no solo, com uma enxada ou um sacho, consoante as dimensões do espaço a tratar.




A HORTA HORIZONTAL
Nas formas de Horta Horizontal, os canteiros apresentam inúmeras vantagens: no caso dos canteiros elevados a principal vantagem é a comodidade -  não temos de nos dobrar para plantar, manter e colher.  O facto de podermos circular à volta do canteiros, também nos permite ter acesso a toda a área de cultivo de uma forma fácil, e sem sujar os pés. Por outro lado, ao concentrarmos as plantações numa área definida, poderemos utilizar apenas a água necessária para as hortícolas, evitando que nos dispersemos a regar uma grande área, onde depois começarão a crescer daninhas.



A HORTA VERTICAL
A Horta Vertical consiste no aproveitamento de muros e paredes para neles se instalar uma estrutura que suporte os vegetais. Existem algumas opções tais como o sistema de bolsos, as prateleiras, treliças ou redes com recipientes, e ainda cestos pendurados. Tudo vai depender do local escolhido para albergar a horta (não esquecer que a luz natural deve ser um factor determinante nessa escolha).
                                                                             
Se optarmos por prateleiras, todos os recipientes contendo hortícolas devem ter a uma boa exposição solar. O melhor tipo de prateleiras para esta finalidade são as assentes em suportes de parede, pois permitem uma melhor circulação do ar (evitando o aparecimento de fungos devido ao excesso de humidade).
                                                                           
Podemos optar ainda pela instalação de uma rede forte, para pendurar recipientes para o plantio e por onde se possam conduzir as trepadeiras. Primeiro, será necessário construir uma estrutura em ferro ou madeira, onde se fixará a rede. Depois, basta escolher uma rede forte e fixá-la à estrutura. De seguida, há que fixar os recipientes: fazem-se dois furos nos recipientes e atravessa-se um arame para os segurar à rede. A rede deverá ser mesmo forte, pois devemos ter em linha de conta o peso dos legumes, quando estiverem maduros.






              














Os cestos pendurados, além de lindos elementos de decoração, são óptimos para os legumes que trepam, pois neste caso, irão tombar e preencher o espaço aéreo ao longo do cesto (ex: tomate cereja, ervilhas).

São várias as combinações possíveis para se tirar o melhor partido do espaço existente.
Ter sempre em atenção que a rega deve ser muito mais cuidadosa e frequente nas plantas em recipientes, pois estas tendem a secar muito depressa, principalmente no tempo quente. Não esquecer que todos os recipientes devem ser perfurados, pois o sucesso da horta também depende de um substrato bem drenado.

Uma vez estruturada, há que escolher as culturas que melhor se adaptem à horta vertical:
Plantas Aromáticas – Quem não gosta de salsa e coentros fresquinhos, acabados de colher! E os orégãos, a hortelã (atenção, plantar isoladamente, pois tem tendência a expandir-se), o cebolinho, etc. São plantas bastante fáceis de manter em recipientes, e dão outro aroma a qualquer prato, principalmente se forem frescas!
Tomates/Tomate Cereja – Além da sua cor magnífica dar vida a qualquer espaço, o tomateiro pode ser conduzido para cima numa rede ou treliça, bem como pode crescer para baixo noutro tipo de recipiente.
Pepinos – Podem ser conduzidos, tal como os tomateiros, embora necessitem de uma estrutura forte que os suporte.
Ervilhas – São óptimas trepadeiras, e agarram-se sozinhas às redes e treliças, crescendo sem ser necessário amarrá-las.
Feijões, Cenouras, Rabanetes, Alfaces, Pimentos, Beringelas… são várias as hortícolas que se adaptam a este sistema. Agora é apenas uma questão de usar a imaginação!


A HORTA EM RECIPIENTES

Tipos de Recipiente:

Quase qualquer tipo de contentor poderá servir o cultivo de hortícolas, desde que cumpra algumas condições:

- Boa drenagem – os recipientes deverão ser perfurados no fundo ou nos lados junto à base. Para melhorar a drenagem, podemos ainda cobrir o fundo do vaso com gravilha, pedrinhas ou pedaços de tijolo partido.

- Tamanho - a maioria das hortícolas requer, no mínimo, de 15/17 cm de profundidade de substrato (isto no caso das plantas que crescem acima do solo, pois no caso dos que crescem para baixo, como as cenouras, será necessário mais - cerca de 25 cm).

- Superfície porosa ou não porosa – os recipientes em plástico ou resina retêm a humidade por mais tempo dos que os recipientes porosos, como os de terracota. Se, por um lado, isto possa ser uma vantagem, por exigir menos frequência na rega, por outro, promove menos o arejamento o que aumenta a possibilidade de aparecimento de fungos.

- Substrato – na utilização de recipientes também é muito importante a escolha de um bom substrato, no sentido em que este não deve ser muito argiloso e compacto, pois as raízes das plantas também necessitam de ar.




Localização:

Quase todos os vegetais necessitam de sol/luz natural para se desenvolverem. As plantas que dão fruto, como o Tomateiro, Beringela, Pimento, Pepino, são aquelas que precisam mais de sol. Por outro lado, os vegetais de folha (alface, couve, espinafre, salsa) são os que toleram melhor a sombra. Já as raízes como as cenouras, nabos e cebolas, necessitam de mais luz. Os recipientes devem ser colocados num local onde tenham, pelo menos, 6 horas diárias de luz por dia.

Rega:

As plantas em recipientes exigem mais atenção à rega do que aquelas que estão em terreno, pois tendem a secar mais com o calor e o vento. Por outro lado, se não houver uma boa drenagem, as raízes podem deteriorar-se com o excesso de água, pois não receberão oxigénio suficiente.
Nunca devemos deixar o substrato secar totalmente entre regas ao nível das raízes, pois isto irá comprometer o desenvolvimento da planta.
A rega deve ser feita pela manhã ou ao final do dia, altura em que as temperaturas estão mais baixas perdendo-se menos água por evaporação.

Fertilização:

As plantas em recipientes requerem mais fertilização do que as que estão em terreno, pois têm menos substrato para dele obter nutrientes.
  

Apesar dos diversos aspectos a ter em conta, a horta em recipientes pode ser uma experiência memorável, uma forma de mostrar às crianças como crescem os legumes, levando-as a participar e estimulando a sua curiosidade em experimentá-los, e uma óptima terapia, pois oferece momentos relaxantes de contacto com a Terra e com a Natureza.